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Do Tempo das Descobertas: O vento e os salgueiros

Quarta-feira, 17.03.10

 

Do Dias com Árvores, este poético post sobre salgueiros e vento. Paulo Araújo refere na resposta ao meu comentário que o título foi inspirado num romance para crianças de Kenneth Grahame, mas a mim lembrou-me de imediato o vento nas árvores dos filmes de David Lean.

 

"  O vento e os salgueiros 


Salix atrocinerea Brot. [em cima os amentilhos femininos, em baixo os masculinos]

As árvores europeias mais comuns não se destacam pela floração vistosa. Muitas delas confiam ao vento o trabalho de polinizar; e, como ele não é caprichoso e faz o serviço de graça, não há razão para tentar seduzi-lo. As flores masculinas surgem em cachos pendentes e flexíveis - os amentilhos - que foram feitos para dançar ao vento, largando o pólen enquanto se saracoteiam. As flores femininas, por seu turno, quase não se vêem: basta que estejam lá, abertas para receber esse pó fecundo que tantas alergias nos provoca. Carvalhos, bétulas, avelaneiras e amieiros, todos eles optaram por esse modo de reprodução que dispensa a ajuda das abelhas e de outros insectos diligentes.

À primeira vista, os salgueiros (género Salix) fariam igualmente parte do clube das árvores auto-suficientes. Afinal, as suas flores também vêm dispostas em amentilhos, e não são particularmente chamativas nem pela cor nem pelo cheiro. Existem, porém, duas diferenças cruciais: os amentilhos não são flexíveis, e há-os de dois tipos, masculinos ou femininos. É que os salgueiros são dióicos, querendo isto dizer que há árvores dos dois sexos, cada qual com o seu tipo de flor. Os amentilhos masculinos não se balançam ao vento, e os femininos não se esforçam por passar despercebidos. A revelação de que os salgueiros são polinizados por abelhas e mariposas não surge assim como surpresa. E há recompensas para garantir que os bichos cumprem a tarefa de bom grado, pois tanto as flores femininas como as masculinas estão equipadas com nectários. Tirando isso, umas e outras adoptaram um formato minimalista: as masculinas são quase só estames, e as femininas reduzem-se aos ovários.

A dispersão das sementes é a fase do ciclo de vida dos salgueiros em que eles pedem ajuda ao vento. Para melhor esvoaçarem, as diminutas sementes vêm envolvidas por pêlos sedosos. É o contrário do que sucede com os carvalhos: embora eles sejam polinizados pelo vento, as bolotas que produzem nada têm de aerodinâmico. E há ainda outras árvores, como os choupos e os plátanos, que usam os bons ofícios do vento em todas as fases da sua propagação.

Com a sua copa baixa e arredondada, o salgueiro-preto (Salix atrocinerea) é um dos salgueiros mais abundantes no nosso país, formando bonitas galerias ao longo de rios e de outros cursos de água. É também, por florir precocemente, uma importante planta melífera numa altura do ano em que são escassas as flores. Já o tínhamos
mostrado em Santo Tirso acompanhando as curvas do rio Ave. Corria então o mês de Fevereiro e a floração estava no auge, mas agora que Março vai embalado já não sobram muitos dias para ver o espectáculo. Uma observação atenta de uma fiada destes salgueiros permite, mesmo ao longe, diferenciar o amarelo das copas masculinas do verde das femininas.

As fotos de hoje foram tiradas na freguesia do Campo, em Valongo, ao fundo de uma elevação onde se instalou uma grande pedreira para extracção de xisto. Curiosamente, os salgueiros não colonizaram as margens do rio Ferreira, mas apenas as de um magro ribeiro - pouco mais que um fio de água, inteiramente escondido pelas árvores - que nele ali desagua.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:47

Do Tempo das Descobertas: Janeiro no jardim

Quinta-feira, 14.01.10

 

Da minha quinta preferida, a Quinta do Sargaçal, este post sobre algumas coisas essenciais. Que melhor forma de iniciar um novo ano?

 

 

"  Janeiro no jardim

Alfazemas recentemente envasadas
Aproveitei a aberta na chuva para podar a Glicínia. Senti-me mais à vontade e foi mais rápido que nos outros anos. A ver que flores dá. Certos ramos tive de cortar mais radicalmente porque pendiam para a rua.
Depois montei um estufim que tinha por aqui. Parece uma tenda canadiana e se me lembro, a primeira vez que o montei há anos, voou pelos ares. E ficou guardado até este Sábado, com os tubos meio torcidos. Montar sem instruções demorou tempo e não entendi a necessidade de tubos com tantos tamanhos diferentes. Em vez de quatro tamanhos eu fazia o mesmo com um tubo genérico para todas as partes. Mas pronto, está montado.
Guardei lá dentro umas jovens plantas designadamente os Gerânios madeirenses, que infelizmente já tinham caído pelas escadas abaixo. Ou vento, ou cão, sendo este último o meu principal suspeito. Mas como foi nos dias de tempestade, dei-lhe o benefício da dúvida.

Estufim
Também o que chegou do Viveiro dos Rosmaninhos, porque quero ver se tenho sucesso com as alfazemas — é o meu desejo pelo menos. Além das 70 pequenas plantas envasadas, vieram muito mais do que eu pensava em torrão (mais que simpática oferta). O problema é que com a colecção de Sempre-vivas, os vasos de plástico que eram aos montes, agora são muito poucos. Aliás, agora de tamanhos pequenos não há nenhum.
Conclusão, como as plantas são mesmo pequenas e o torrão é de um alvéolo mesmo diminuto, socorri-me dos tabuleiros Rootrainers, que vão permitir as plantas passarem a próxima fase de desenvolvimento. Depois logo verei como se comportam antes de passar para os vasos ou locais definitivos. Mas tudo somado, julgo que já envasei umas 130 plantas (umas 70 em Rootrainers o resto em vasos). Devem faltar umas 60-70 e vou tentar acabar isso amanhã porque daqui a pouco faz uma semana que estão fora da terra.  "


 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:34








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